Uma dúvida que atravessa séculos. Uma questão de 400 anos. As datas envolvendo William Shakespeare são aproximadas (a própria autoria de suas obras e os eventos de sua vida são colocados em dúvida). Consta como de 1603 a publicação de uma das mais reverenciadas peças da dramaturgia mundial: Hamlet. Ela estava pronta antes desse ano: no Stationers Register, sob a data de 26 de julho de 1602, consta: "Revenge of Hamlet Prince Denmarke - Lord Chamberlain Servants" (a companhia de que Shakespeare fazia parte). Em 1603 foi publicada a versão conhecida como First Quarto, que não foi autorizada pelo seu autor nem por sua companhia. Neste mesmo ano a Lord Chamberlain's Company transformara-se na King's Servants após a subida de Jaime II ao trono. O First Quarto é uma versão da tragédia de Shakespeare muito reduzida, embora contenha cerca de 240 linhas que não se encontram na versão seguinte da peça. Em 1604 foi publicada a edição Second Quarto de Hamlet. É esse texto, com algumas correções e adições menores, que se reconhece como a versão definitiva.

A história de Hamlet tem origem nas lendas escandinavas. A versão mais antiga está na História Danica do Sexto Gramático de 1200. Em resumo, Hamlet é um jovem príncipe dinamarquês perturbado com a morte do rei, seu pai, e com o segundo casamento da rainha Gertrudes, sua mãe. Pelo fantasma do pai, fica sabendo que ele fora assassinado pelo irmão, rei Cláudio, que desposou Gertrudes. Quer vingança. Finge-se de louco boa parte do tempo. É um personagem lúgubre, vestido de luto. "O mundo está fora dos eixos. Oh! Maldita sorte! Por que nasci para colocá-lo em ordem?", lamenta. Diante de Cláudio e da mãe, faz um grupo de teatro representar a morte do pai, despertando a ira do padrasto. Numa das muitas confusões da peça, Hamlet mata o pai de Ofélia, sua namorada. Ela enlouquece e se suicida. O rei Cláudio aproveita a situação para se valer de Laertes, irmão de Ofélia, e atingir o príncipe sem se comprometer diretamente. Durante a disputa entre Laertes e Hamlet, a rainha toma um vinho envenenado destinado ao filho e morre. Hamlet é ferido com uma espada também envenenada e depois fere Laertes com essa mesma espada. Quando descobre o veneno, Hamlet dá uma estocada com a arma mortal no rei e morrem os dois. Fortimbrás, um príncipe que havia atravessado a Dinamarca com seu exército para fazer a guerra à Polônia, chega ao Castelo de Elsinor pouco depois de consumada a tragédia. Manda enterrar Hamlet com as honras devidas e reclama seus direitos sobre o trono daquele país.

Colocar o mundo em ordem

Num escrito de 1898 (O papel do indivíduo na história), o russo Guiorgui Valentinovitch Plekhanov contrapôs à postura lamuriosa e meditabunda de Hamlet, expressa no monólogo "ser ou não ser", a convicção da validade da ação humana individual para "colocar o mundo em ordem". O pensador e ativista russo analisava a atividade do indivíduo como um elo indispensável na cadeia dos acontecimentos que envolvem a história humana: "quando dizemos que um determinado indivíduo considera sua atividade como um elo necessário na cadeia dos acontecimentos necessários, afirmamos, entre outras coisas, que a falta de livre arbítrio equivale para ele à total incapacidade de permanecer inativo e que essa falta de livre arbítrio se reflete em sua consciência na forma da impossibilidade de atuar de um modo diferente ao que atua. É, precisamente, o estado psicológico expresso na famosa frase de Lutero: Hier stehe ich, ich, kann nicht anders (este é meu conceito e outro não posso ter) e graças ao qual os homens revelam a energia mais indomável e realizam as façanhas mais prodigiosas".

Mas a amargura impotente de Hamlet tem atravessado os séculos. Seu celebrado monólogo já foi até referido na música popular brasileira, através de Walter Queiroz, em 1973 ("Eu quero nos teus braços ser eu mesmo, comer meu feijãozinho com torresmo, beber, deitar, dormir, talvez morrer", cantava Maria Creuza). - Carlos Pompe, Jornalista e Curioso do mundo.





O RELÓGIO DO MUNDO


Não entendo
tantos desencontros,
quando tudo poderia ser muito mais fácil.
Não posso concordar com a necessidade da dor
e a inevitabilidade da perda.
Há mudanças de fato,
mas não me conformo com a velocidade do tempo.
..a velocidade do tempo ou a paisagem que não muda?
Há engrenagens que não cumprem as leis da física,
há sentimentos contraditórios - inclusive em mim
e espero nunca desejar descansar no caminho fácil.



Morrer... Dormir...

Morrer .. dormir .. não mais! Termina a vida
E com ela terminam nossas dores:
Um punhado de terra, algumas flores,
E às vezes uma lágrima fingida!

Sim! minha morte não será sentida;
Não deixo amigos, e nem tive amores!
Ou, se os tive, mostraram-se traidores,
Algozes vis de uma alma consumida.

Tudo é podre no mundo.
Que me importa Que ele amanhã se esb'roe e que desabe,
Se a natureza para mim é morta!

É tempo já que o meu exílio acabe,
Vem, pois, ó Morte, ao Nada me transporta!
Morrer... dormir... talvez sonhar... quem sabe?


- Francisco Otaviano

O cineasta Woody Allen foi expulso de duas faculdades por ter sonhos eróticos em sala de aula.

.. e o sonho não acabou


'Você pode até dizer que sou um sonhador, mas não estou sozinho nisso. Espero que um dia você se junte a nós, e o mundo será como se fosse um só.' - John Lennon
.. how do you sleep?


Em 1971, John Lennon atinge o sucesso com o álbum Imagine, a faixa-título faz muito sucesso e torna-se um hino a paz no mundo inteiro. Neste álbum, John ataca o ex-parceiro musical, Paul McCartney com a canção "How do you sleep?". Na canção, John acusa Paul de fazer "canção muzak" (canções que são tocadas em elevador) e diz que a única coisa que Paul escreveu bem foi a canção "Yesterday", e que o resto de suas composições eram tolas canções de amor (silly love songs). John alegou que Paul sempre o atacava sutilmente em seus discos e que "How do you sleep?" era uma resposta a essas provocações.
o sonho acabou


Na canção "God" John Lennon diz a famosa frase "O sonho acabou" em referência aos Beatles, e afirma ainda não acreditar nos Beatles e em Deus.
..o sonho não acabou


Yesterday (1965)
Paul McCartney sonhou com a melodia. Seu título provisório foi Scrambld eggs (Ovos mexidos) e a banda passou um bom tempo sem fazer nada com a música. Hoje é a canção mais tocada de todos os tempos, tendo sido executada nos Estados Unidos mais de 6 milhões de vezes.

Let it be (1970)
Surgiu de um sonho em que a mãe de Paul, já falecida, lhe dizia: "Vai dar tudo certo".
Em 64 dc o imperador Nero decidiu atear fogo em Roma. Embora não existam muitos registros daquela época, acredita-se que o imperador tivesse o sonho de reconstruir a cidade a seu gosto. A utopia do governante destruiu mais de um quarto da cidade.




Os Pássaros - los hermanos


Eu aflito e só,
Confuso e sem você por aqui.
Assim eu sonhei
Mas isso eu não quis.
Que diferença? o dia se fez
Assim.
Há um conflito um nó
Eu difuso enfim
Os pássaros vêm
Me levar aí
Visitar o céu
E pra ver você levantando o véu
Pra mim.
Mas eles só me vêem
Quando eu já não sei
Se eu estou são,
O que é um sonho ruim,
E o que é um sonho bom.
Que diferença? a vida é igual,
assim e eu não sei
Eu não sei...
Não sei...
Eu não sei..
Se isso é você.
Quem bate aí?
Se é pra eu te ver então deixa eu dormir.







Será mais nobre sofrer na alma pedradas e flechadas do destino feroz?

Ou pegar em armas contra o mar de angústias e, combatendo-o, dar-lhe fim?

Morrer, dormir...


Soñe que el fuego helaba

Soñe que la nieve ardia

Y por soñar lo imposible

Soñe que tu me querias"
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