EU TENHO UM SONHO
texto de GILBERTO GIL disponível em sua página oficial
Há dias em que posso dizer: eu dormi. E, ao mesmo tempo: não dormi. Eu meditei. Pode ser que eu não durma, mas que mesmo assim sonhe. A fronteira entre sonho e meditação é muito tênue. Na meditação não sigo mais nenhum método definido. Experimentei quatro, cinco diferentes. Dois mestres hindus deram-me mantras, que cultivei por muito tempo. No final, abandonei todos os métodos, deixando que a própria meditação se mostrasse. Eu chego mesmo a dizer que já não medito mais conscientemente. A meditação tornou-se uma atitude de espírito. Às vezes medito dormindo, às vezes simplesmente deixo a corrente do espaço e tempo dar forma aos meus pensamentos. Meditação quer dizer: se aperceber das coisas.
Frequentemente acordo às sextas-feiras e penso: hoje é sexta, eu deveria usar branco, como é de uso no Candomblé. Hoje preciso honrar meus ancestrais. Não raro, porém, também digo: não. Prefiro então usar preto, quando se espera branco de mim. E que seja apenas para mostrar que a regra é a exceção. É bom, de tempos em tempos, negar a sua própria crença, seus desejos, seus deuses. As religiões têm para mim um valor cultural. Aí reside seu bem.
Provocações fazem parte de minha vida. Mesmo hoje, quando algumas pessoas dizem que antes eu jogava pedra e que agora estou sob um telhado de vidro. Eu fui alguém que desafiava o sistema. Um rebelde que negava todas as convenções. Foi no tempo em que jogava pedras. Hoje, como membro do governo, mesmo assim sinto frequentemente vontade de pegar uma pequena pedra e deixá-la rolar sobre o telhado. Esta dualidade é minha natureza.
Um pensamento filosófico, que tanto os chineses como os gregos conheciam: o meio perfeito significa que dois extremos são possíveis ao mesmo tempo. Não se trata de uma situação ou lugar fixos. O verdadeiro meio jaz no movimento entre dois polos. Às vezes se está num polo que representa um extremo. Em outro momento, no exato oposto. No entremeio, estamos nas posições mais variadas. Essa é a dinâmica da vida.
Política é uma luta, uma arte marcial. É impossível imaginar política sem conflito e disputa. Precisa-se, no entanto, obedecer a determinadas regras. É preciso respeitar os adversários. É como uma guerra civilizada. No campo de batalha da política, o poeta não se encontra em melhor ou pior situação do que os outros. A poesia tem seu próprio domínio. Mas eu gosto quando as duas esferas se misturam. É como o pêndulo entre dois polos. Assegura um movimento contínuo. Fazer política poeticamente e poetar politicamente - os pensamentos e sentimentos de ambos os lados ganham com isso. Não se deve negar aos políticos o seu lado poético. Políticos podem ser poetas e vice-versa.
Ter cantado nas Nações Unidas, juntamente com Kofi Anan, foi um ato espontâneo. Simplesmente porque a oportunidade se ofereceu. Estava num lugar muito sério. E ali me foi permitido fazer música por uma, duas horas. Uma oportunidade de misturar as esferas. Citei então, como exemplo, o poeta brasileiro Vinicius de Moraes. Um poeta que era ao mesmo tempo diplomata e escreveu algumas das mais conhecidas canções do Brasil.
Minhas raizes africanas descobri relativamente tarde, levando-se em conta que descendo de negros. Eu vim da Bahia, o centro da cultura negra, no Brasil. Mas levei muito tempo para ficar consciente disso. Fui criado como membro da pequena burguesia. Deveria ter me tornado algum médico ou advogado. Um membro da sociedade moderna, cosmopolita, orientada internacionalmente. Não fui preparado para pensar sobre minhas origens. Por isso demorou algum tempo até que eu percebesse que temos uma forte cultura africana no Brasil.
Uniformismo é o princípio dominante de nosso tempo. Na uniformidade globalizada é especialmente importante termos em mente quem realmente somos.
Um de meus maiores sonhos é que floresça, no Brasil, de toda a diversidade de correntes, religiões, grupos populacionais e culturas, que vivem em nossa terra, uma identidade comum. Eu desejo uma identidade que reconheça a diversidade como valor. Esta, no fundo, é uma tarefa diante da qual toda a humanidade se encontra. Visto por esse ângulo, o Brasil é um país muito atual.
Música é parte de nosso universo, parte de nossa identidade coletiva. Música pode mudar o mundo e muda com o mundo. A música é uma das linguagens mais disseminadas na face da terra. A humanidade desenvolveu a música como uma de suas formas de comunicação mais importantes. Através da música comunicamos a nós mesmos que o mundo gira.
Chamei Bob Marley de irmão, o primeiro pop star do Terceiro Mundo. Outro irmão espiritual foi John Lennon, cujo concerto londrino com The Plastic Ono Band eu tenho entre as experiências mais extraordinárias de minha vida. O que Marley e Lennon tinham em comum era a capacidade de imaginação.
Eram grandes inventores. Eram revolucionários. Transformaram a percepção da música pop. A maneira de escrever e executar canções. Eles criaram estilos completamente novos. Nós homens ainda somos de carne. E sangue. Let it bleed!, como os Rolling Stones uma vez disseram. Talvez a luz da iluminação venha no final, quando se esgotar o processo de sangramento. Quando enfim atingirmos um outro estado. Quando morrermos. A morte é o único conceito que temos do que significa o estado do nada. Do vazio total. Quando arrefece o movimento, do corpo e do espírito - talvez seja aí o momento em que a luz vença. No fim é só luz. E escuridão. O diálogo entre luz e escuridão, numa língua que não é mais a nossa. Talvez seja aí o ponto, onde finalmente seremos capazes de não sermos mais capazes.
Estou agora com 63 anos. A idade ajuda na adaptação às contínuas transformações da vida. Em deixá-la correr. Deixá-la sangrar. Deixá-la ser. To let it be. E eu me sinto cada vez melhor com ela. É um estado de felicidade, no qual estou sempre feliz com tudo o que acontece comigo. Afora um pequeno rumor que sempre permanece, a morte não me causa medo.

encontrei uma página com fotos sobre nuvens comoventes. Mas como assim nuvens comoventes? Eu achei que todas as nuvens fossem comoventes ou nenhuma..
para falar a verdade eu nunca pensei exatamente nestas palavras. Eu assistia a um programa muito interessante cujo título fala por si 'o silêncio dos intelectuais' e dizia que com a internet o local está relativamente dado agora resta saber o que dizer.. estou nesta situação, apesar de que tantas poucas -se é que você me entende- pessoas lêem isto aqui.. Mas o que vem à tona é: será que o cara das nuvens comovente é um intelectual calado ou um ignorante com espaço? será que isto leva a alguma coisa? como encontrei as nuvens comoventes? Será que já sou parte disso? até que ponto? Será que minhas divagações extralunares serão apenas mensagens dentro de uma garrafa? O mundo está à espera das minhas palavras? Nem uma coisa nem outra e nunca saberemos a verdade pois elas quase não existem onde há o imprevisto. isto é apenas um blog despropositivo mendigando atenção e eu que escrevo sobre o nada talvez um dia venha a admirar as nuvens comoventes. não há verdade em rótulos. o fim das coisas é uma moda que já passou.

-Hoje em dia ninguém se entende mais..
-Como assim?
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Onde Anda Você - Vinicius de Moraes
E por falar em saudade onde anda você
Onde andam seus olhos que a gente não vê
Onde anda esse corpo
Que me deixou louco de tanto prazer
E por falar em beleza onde anda a canção
Que se ouvia na noite dos bares de então
Onde a gente ficava,onde a gente se amava
Em total solidão
Hoje eu saio na noite vazia
Numa boemia sem razão de ser
Na rotina dos bares,que apesar dos pesares,
Me trazem você
E por falar em paixão, em razão de viver,
Você bem que podia me aparecer
Nesses mesmos lugares, na noite, nos bares
A onde anda você?
UNE, UNE..

Eu Quero É Botar Meu Bloco Na Rua - Sérgio Sampaio
há quem diga que eu dormi de touca
que eu perdi a boca, que eu fugi da briga
que eu caí do galho e que não vi saída
que eu morri de medo quando o pau quebrou
há quem diga que eu não sei de nada
que eu não sou de nada e não peço desculpas
que eu não tenho culpa, mas que eu dei bobeira
e que Durango Kid quase me pegou
eu quero é botar meu bloco na rua
brincar, botar pra gemer
eu quero é botar meu bloco na rua
gingar, pra dar e vender
eu, por mim, queria isso e aquilo
um quilo mais daquilo, um grilo menos disso
é disso que eu preciso ou não é nada disso
eu quero é todo mundo nesse carnaval...
eu quero é botar meu bloco na rua
brincar, botar pra gemer
eu quero é botar meu bloco na rua
gingar, pra dar e vender
Citações: Schopenhauer
Arthur Schopenhauer (1788- 1860) Filósofo alemão do século XIX.
'Quanto menos inteligente um homem é, menos misteriosa lhe parece a existência'
'Por sabedoria entendo a arte de tornar a vida mais agradável e feliz possível.'
'Quando ouço música, a minha imaginação compara-se muitas vezes com o pensamento de que a vida de todos os homens e a minha própria vida não são mais do que sonhos de um espírito eterno, bons e maus sonhos, de que cada morte é o despertar.'
'A morte é propriamente o gênio inspirar, ou a musa da filosofia, e por isso Sócrates a definiu como 'preparação para a morte'. Sem a morte, seria mesmo difícil que se tivesse filosofado.'
'O que a história conta não passa do longo sonho, do pesadelo espesso e confuso da humanidade.'
'A felicidade não passa de um sonho, e a dor é real... Há oitenta anos que o sinto. Quanto a isso, não posso fazer outra coisa senão me resignar, e dizer que as moscas nasceram para serem comidas pelas aranhas e os homens para serem devorados pelo pesar.'
'A modéstia é a humildade de um hipócrita que pede perdão por seus méritos aos que não têm nenhum.'
'O bom humor é a única qualidade divina do homem'
'O que um indivíduo pode ser para o outro, não significa grande coisa, no fim cada qual acaba só. Ser feliz, diz Aristóteles, é bastar-se a si mesmo.'
'A solidão é a sorte de todos os espíritos excepcionais.'
'Um bom cozinheiro pode dar gosto até a uma velha sola de sapato; da mesma maneira, um bom escritor pode tornar interessante mesmo o assunto mais árido.'
'O amor é como os fantasmas de que todos falam, mas que ninguém viu'

'O destino embaralha as cartas, e nós jogamos'
'Em geral, chamamos de destino as asneiras que cometemos'

Viver, fluir. Por um acaso estou certo que o acaso não existe. Digo, desmistificando, não no sentido de desacreditar ou inviabilizar expectativas de quem crê no destino, mas, ao contrário, para abrir possibilidades e tornar o mito mais próximo e comum. O destino é só uma desculpa para justificar ou iluminar certos encontros ou desencontros. Encontros e desencontros são passíveis de serem ouvidos pois emocionam, portanto notáveis o suficiente para serem comentados e produzirem o resultado esperado. Ao acaso tudo se passa por natural mas os caminhos, não são nada naturais, são parte da cultura. Quem escolhe passar por onde, quando e como? Assim como escolho estas palavras para escrever. Assim como escolho outra infinidade de palavras para não escrever ou apagar. Quem conta um conto é o dono do volante da história, fala de pessoas e magias, encontros e desencontros e não diz sobre as formigas que atravessam a estrada no sentido inverso: o transversal. Cada momento: Inesperado e inédito. Enquanto a história segue paralela, ela segue, atravessando sem registro pela história, sem uma virgula sequer. Talvez foi o caminho que passou pela formiga.

“Em Outubro [1967 contra a Guerra do Vietnã], em Washington, 50 mil pessoas marcharam sobre o Departamento de Defesa. Vestidos como vagabundos, risonhos como palhaços, carregavam flores, sugeriam que se fizesse amor e não guerra. Nessa manifestação que o professor americano Allen Matusow chama de “um dos mais significativos acontecimentos da história dos Estados Unidos”, um grupo de hippies tentou fazer levitar o Pentágono. A imensa construção, que abriga os maiores corredores do mundo, não levitou, mas hoje se sabe que por conta daqueles hippies ela sem dúvida saiu do lugar.” (Gaspari, Elio. A roda de Aquarius in: A Ditadura Envergonhada/ São Paulo: Companhia das Letras, 2002. Página 234.)
Para Wallace Stevens a imaginação é a mente reagindo à pressão da realidade. No entanto, o que chamamos hoje de realidade seria simplesmente a imaginação dos mortos: desta forma, ser realista é outro nome para o conservadorismo. Precisamos da imaginação para inventar novos caminhos, seja para a nossa vida pessoal, seja para a sociedade como um todo.

As Tears Go By - Rolling Stones
It is the evening of the day
I sit and watch the children play
Smiling faces I can see
But not for me
I sit and watch
As tears go by
My riches can't buy everything
I want to hear the children sing
All I hear is the sound
Of rain falling on the ground
I sit and watch as tears go by
It is the evening of the day
I sit and watch the children play
Doing things I used to do
They think are new
I sit and watch as tears go by

Estou totalmente sem inspiração. e esta falta de inspiração me deu várias idéias por exemplo falar sobre ela. é bem verdade que pode parecer forçar a barra, e o é .. qual o problema? ..ninguém lê isso aqui mesmo.. ..e o que não é o blog senão uma garrafa com mensagens qualquer jogada ao mar do tempo? agora, problema é o de quem ler, se acaso ler. mas enfim, não usarei parágrafo com letra maiúscula, que vá a mensagem aos queiram entender, pois, com a poluição visual que já temos hoje e com a que teremos 'amanhã nem tenho o que temer pois já na leitura da primeira linha o 'número de leitores deste texto provavelmente será alguma coisa próxima a zero ou certamente não terá mais de um dígito. E zero também é um dígito. bem, enfim quase estamos chegando ao fim do meu texto sobre a minha falta de inspiração e eu ainda não conseguí expor nenhuma idéia nem tampouco convencer ninguém. estou me expressando e basta. com 'tanta falta de inspiração acho que eu já conseguí ir longe de mais com isso, e estamos próximo do fim. estar próximo do fim mesmo em um texto vazio como este também é um desafio pois nunca terminamos nada, afinal chegamos ao mundo quando já havia começado e provavelmente não veremos o seu final. aliás este é um argumento muitíssimo interessante pois a teoria do fim se sustenta pela teoria do início. e com isso me leva novamente a refletir e pensar que talvez este fim seja apenas mais um começo. fim.

nuvens - pato fú
leve pensamento diz
por muito tempo não consigo esperar
quase sempre ser feliz
é um alento ou uma falta de ar
capaz de me fazer
um pouco acreditar
que o sonho mais perfeito
pode se realizar
quando passeio nas nuvens
tudo parece igual
as sombras são as medidas
de tantas chances perdidas
sem demora então
é só acreditar
que o sonho mais perfeito
pode se realizar

quase - pato fú
ela é quase tudo o que sonhei
e eu sou quase aquilo que sempre evitei
e falhei, sim, falhei...
quase um amor
quase um caminho
que me deixou
quase sozinho
e quase que fiquei contente
e fui feliz pra sempre
no dia em que eu
quase conquistei seu coração
quase um amor
quase um caminho
que me deixou
quase sozinho
e apesar de ter ficado
quase um ano
quase morto de paixão
hoje já estou quase bão
hoje já estou,
realmente já estou,
hoje já estou quase bão
Vivo Sonhando - Joao Gilberto
Vivo sonhando, sonhando mil horas sem fim
Tempo em que vou perguntando, se gostas de mim
Tempo de falar em estrelas,
Falar de um mar, de um céu assim
Falar do bem que se tem mas você não vem, não vem
Você não vindo, não vindo a vida tem fim
Gente que passa sorrindo zombando de mim
E eu a falar em estrelas,mar, amor, luar
Pobre de mim que só sei te amar...